É difícil entender como um tema tão inflamável como o de A Onda pode resultar em algo de tamanha apatia. Esse mesmo material, nas mãos certas, poderia ter originado uma obra incisiva como Elefante e Clube da Luta; mas o filme do estreante Dennis Gansel está a anos-luz de distância desses e dos melhores exemplares da recente safra alemã (Adeus, Lênin!, Edukators, A Vida dos Outros...).
A transposição dos fatos em que se baseia - que aconteceram na Califórnia, final da década de 1960 - para o território alemão cria ecos interessantíssimos, que convergem em paralelos com o surgimento do regime nazista e, conseqüentemente, em uma demonstração prática da aplicação das autocracias.
O que acontece é que Gansel, um diretor visivelmente desprovido de recursos, tenta ancorar todo o seu filme nessa alegoria. Ele sabe que tem uma história instigante nas mãos, mas aparentemente, acha que ela vale por si só. A narrativa então vai decaindo em uma rispidez assustadora em que os acontecimentos se atropelam, perdidos na absoluta falta de cadência. Resta então uma obra estritamente didática. E que precisa ter umas boas aulinhas com o professor Gus Van Sant.
Die Walles, de Dennis Gansel
Alemanha, 2009















